Em nota, bispos da Amazônia defendem vetos à Lei de Licenciamento Ambiental

Os bispos católicos da Amazônia brasileira divulgaram uma carta pública em que manifestam preocupação com os rumos da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025). Foto: Repam Brasil | Divulgação

O conjunto dos bispos da Amazônia brasileira divulgou carta na qual pede a manutenção integral dos vetos presidenciais à nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, sancionada como Lei nº 15.190/2025, este projeto de lei foi popularmente conhecido como “PL da Devastação”. Para o episcopado, reabrir trechos barrados pelo Executivo fragiliza a proteção de biomas, ameaça direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais e enfraquece o controle técnico sobre atividades de alto impacto. A carta ressalta que o veto evitou pontos “mais danosos” do texto, manteve critérios nacionais e afastou atalhos que reduziriam a qualidade das avaliações ambientais.

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Entre os riscos elencados caso os vetos caiam, os bispos citam: brechas que precarizam estudos de impacto, pressão de prazos sobre órgãos ambientais, e a reintrodução da Licença por Adesão e Compromisso (LAC), modalidade autodeclaratória, sem alternativas técnicas robustas, que desvincula a análise de outros controles (como outorga de água) e ignora a crise climática. O texto também alerta para efeitos em cascata, como migrações ambientais e aumento de conflitos socioambientais, e critica o avanço de flexibilizações estaduais que reduzem áreas de proteção.

Ancorada no magistério socioambiental da Igreja, a carta sublinha que a Amazônia é estratégica para o clima global e que qualquer afrouxamento “representa risco não apenas local, mas planetário”. Por isso, conclama a sociedade a cobrar dos parlamentares a manutenção dos vetos e a rejeição de propostas que esvaziem o licenciamento, “fortalecendo regras mais rigorosas” e a integridade dos ecossistemas. Dom José Altevir da Silva, presidente do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) e bispo da Prelazia de Tefé (AM), assina o documento ao lado de dezenas de bispos da região. 

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