Linhas de Ação
O Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) se orienta por três linhas de ação que refletem seu compromisso com a defesa da vida, dos direitos e dos territórios dos povos das águas. Essas frentes unem evangelho, justiça social e ação política, concretizando a missão pastoral junto às comunidades pesqueiras artesanais em todo o Brasil. Conheça as principais diretrizes que guiam a atuação do CPP.
Direitos e Organização
Por muito tempo, pescadores e pescadoras artesanais foram invisibilizados e excluídos do acesso a direitos sociais básicos. Desde a Constituinte da Pesca, na década de 1980, conquistas significativas foram feitas, como o direito à aposentadoria e ao Seguro-Defeso. Contudo, esses direitos continuam ameaçados. O CPP atua continuamente na incidência política e na promoção da organização social das comunidades pesqueiras, fortalecendo a luta pela manutenção e ampliação das garantias legais dos povos das águas. A pastoral oferece assessoria jurídica e política, promove capacitações, acompanha processos legislativos e mobiliza pescadores e pescadoras para a defesa coletiva de seus direitos.
Renda e Economia Solidária
O modelo de desenvolvimento atual, caracterizado pela exploração dos territórios e pela lógica do consumo como sinônimo de progresso, apresenta grandes desafios para as comunidades tradicionais, especialmente as pesqueiras. Diante disso, o fortalecimento da geração de renda e das práticas de economia solidária é central na atuação do CPP. A pastoral apoia e dá visibilidade a iniciativas comunitárias que valorizam o trabalho coletivo, o cuidado com os territórios e a autonomia econômica, contribuindo para a melhoria das condições de vida e a afirmação dos modos de vida tradicionais. Ao fortalecer essas experiências, o CPP reafirma a importância social, cultural, política e econômica da pesca artesanal.
Território e Meio Ambiente
A pesca artesanal depende de ambientes preservados que garantam a reprodução das espécies e a continuidade da vida nos territórios. No entanto, esses espaços enfrentam ameaças da expansão do agronegócio, poluição industrial, exploração de petróleo, mineração e turismo predatório, resultando em poluição, desmatamento e expulsão das populações tradicionais. Com a crise climática, as comunidades pesqueiras são as mais afetadas por enchentes, secas prolongadas e elevação do nível do mar. O CPP atua ao lado dessas comunidades, promovendo ações e debates para a defesa territorial, denunciando injustiças climáticas e racismo ambiental, e fortalecendo a luta pela permanência nos territórios tradicionais.